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6 anos após a morte de ialorixá, Bahia tem primeira condenação por racismo em intolerância religiosa


Em 2015, após diversos ataques de intolerância religiosa ao terreiro Oyá Denã de Camaçari, região metropolitana de Salvador, que iniciaram em 2014, a Ialorixá Mildredes Dias Ferreira, conhecida como Mãe Dede de Iansã, faleceu de infarto aos 90 anos, devido ao agravamento de sua saúde causado pela preocupação com os ataques. Na época, Edneide Santos de Jesus, foi denunciada na delegacia por hostilizar o terreiro e a ialorixá. Edineide frequentava a Igreja Casa de Oração Ministério de Cristo, que se localiza na frente do do terreiro e costumava gritar “Si Satanás” e jogar sal grosso na porta do local. Em 2015, o Ministério Público da Bahia a denunciou por discriminação de raça, cor, etnia e religião.

Seis anos após a morte de Mãe Dede de Iansã, a Bahia registrou a primeira condenação por racismo na modalidade do preconceito religioso (G1.com, junho de 2021). A decisão foi um marco histórico e muito simbólico, pois como colocou o desembargador Lidivaldo Britto, foi a primeira vez que um crime de intolerância religiosa foi condenado em primeira e em segunda instância. E por que foi utilizado o Racismo Religioso na decisão? Porque é um termo que consegue abarcar melhor a questão, já que compreende muito além da reprovação a uma determinada crença. Portanto, a raiz da questão encontra-se no racismo que é perpetuado, porque, de fato, existe uma condenação da origem da crença. Por isso, objetiva-se eliminar as religiões de matrizes africanas, apagar a memória e silenciar as origens pretas, como explica Sidnei Nogueira em sua obra “Intolerância Religiosa” (coleção Feminismos Plurais, 2020).

Diante da decisão judicial e da complexidade que envolve o racismo, a advogada Gabriela Ramos fez a ponderação de que, embora seja muito importante a sentença, é preciso ter em mente que ela não consegue resolver as tensões raciais.


#PraCegoVer: imagem com foto de Mildredes Dias Ferreira, Mãe Dede de Iansã em preto e branco, #TbtCrítico no canto superior esquerdo, no inferior direito a seguinte legenda “6 anos após a morte de Ialorixá, Bahia registra a primeira condenação por racismo em um caso de intolerância religiosa” com o logo do Senso Crítico ao lado.


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